Prêmio que supera o Nobel promove a dimensão espiritual do ser humano

Prêmio Templeton: para a promoção da dimensão espiritual da vida humana

Por Daniel Marques

RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 13 de setembro de 2012 (ZENIT.org) – Todos os anos ficamos apreensivos esperando pelas grandes personalidades que receberão o Prêmio Nobel. Antes, durante e depois da cerimônia todos os meios de comunicação só falam sobre os ganhadores e suas descobertas. Confiamos que serão pessoas que revolucionaram de algum modo no campo das ciências, da cultura e da paz. No entanto, poucos conhecem o maior prêmio monetário do mundo, que a cada ano se propõe a entregar um valor sempre superior ao Prêmio Nobel.

Este é o Prêmio Templeton (www.templeton.org), entregue de forma individual a uma pessoa viva que tenha contribuido de maneira excepcional para a promoção da dimensão espiritual da vida humana seja através de um insight, de uma descoberta ou um trabalho prático. Este ano foi entregue a Dalai Lama o reconhecimento e o valor equivalente a 1,7 milhões de dólares.

Na lista de 40 anos de premiação, configuram pessoas como a Beata Madre Teresa (primeira a receber o prêmio); Chiara Lubich, a fundadora do Comunhão e Libertação; o presbítero, físico e filósofo John C. Polkinghorne; o matemático, físico e astrônomo John D. Barrow, entre outras grandes personalidades acadêmicas e religiosas do mundo.

Com certeza, as descobertas trazidas pelos ganhadores do Prêmio Nobel são importantes para o desenvolvimento do ser humano. Contudo, o Prêmio Templenton deseja ressaltar que qualquer desenvolvimento técnico, social, político ou cultural que afogue a dimensão espiritual do ser humano, não é verdadeiro é em realidade um retrocesso. E nos recorda que o verdadeiro progesso da humanidade passa de modo necessário através do reconhecimento e promoção da dimensão espiritual e religiosa inerente à natureza humana. O mistério do homem só pode ser plenamente compreendido através no mistério do divino que permeia toda nossa história.

Fonte: Zenit

O cambalacho do código Penal

Dizem que uma das grandes diferenças entre o ser humano e as outras criaturas é que nós somos os seres do “por quê”. Somos curisosos por natureza, interrogamos sobre tudo e queremos respostas.

Pois bem, nestes meses últimos tenho sido bombardeado de dúvidas que nascem do estupor em frente ao projeto do novo Código Penal.

Um código, segundo Miguel Reale, feito às pressas, cheio de erros de forma e conteúdo. Sem a participação dos grandes magistrados e juristas do Brasil. E onde, pasmem-se, a pena por abandono de um animal é maior do que a do abandono de um ser humano. Onde um usuário pode ter para uso pessoal o equivalente a 5  dias de consumo. Onde se permite a eutanásia, sem deixar claro os critérios para a execução da mesma (desde logo, sou contra a eutanásia, mas é tema para outro artigo).

O que está acontecendo? Por que tanta pressa em aprovar esse novo código? Por que não há uma maior participação dos juristas? Por que tantas lacunas nas novas propostas? Por que a vida humana vale tão pouco? Por que há pouquissíma informação nos meios de comunicação sobre um tema tão crucial?

Escutem essa simples, rápida e magnífica entrevista com Miguel Reale, jurista, professor titular da Faculdade de Direito da USP e ex-ministro da Justiça. Deixem seus comentários e dúvidas, não podemos ficar calados diante de tamanhos absurdos. (LINK PARA A ENTREVISTA)

Os “colleges” em Cambridge, verdadeiro seminários para a formação acadêmica

 

Nesta foto estou na capela do Trinity College em Cambridge com meu amigo Newton. Um dos estudantes deste college que tem, pasmem-se, “apenas” 32 prêmios nobel. Por isso, considerado o mais importante. (cf. a lista )

Na verdade, cada College (31 colleges ao todo) puxa a sardinha para o seu lado. Um por ser o mais antigo, outro por ser o maior, outro por ter a capela mais importante, outro por ter sido fundando pela familia de Darwin, etc.

O college não se limita a ser apenas um dormitório para os estudantes. Mas são verdadeiros castelos (quase todos) ao estilo dos antigos e grandes mosteiros. Por isso, em todos tem sua “pequena” capela.

Neles os alunos recebem a assistência de tutores exclusivos e são incentivados ao estudo e a pesquisa.  Por isso, eles não perdem tempo com nada. Moram perto dos institutos onde tem as aulas, cada aluno tem seu quarto, pessoas para limpá-lo, lavanderia e refeitório. Verdadeiros “seminários”. E muitos deles, eram mesmo seminários das congregações.

Todos (que existiam na época da separação) eram católicos até serem retirados por Henrique VIII, criador da Igreja Anglicana (aqui chamada também de Igreja oficial).

Do Protestantismo ao Ateismo Moderno e Relativismo Contemporâneo

 

É possível fazer uma leitura dos acontecimentos históricos que percorrem o surgimento do Luteranismo até o relativismo atual através da chave de interpretação da quádrupla negação. Sendo que uma negação prepara o sucessivo “não”. Vejamos de modo concreto para entender a questão.

 

DEUS SIM, IGREJA NÃO

 

É a negação surgida e instaurada por Lutero. Permite uma visão mais subjetivista da fé, onde realça o caráter pessoal da salvação em detrimento do caráter institucional. É possível seguir a Deus, sem seguir uma instituição em concreto. Nega-se o caráter necessário da Igreja para a salvação, para isto será necessário defender um conjunto de conceitos epistemológicos que será à base do pensamento da filosofia moderna.

 

DEUS SIM, CRISTO NÃO

 

Esta segunda grande negação é própria do século da ilustração, onde se busca uma fé fundada apenas na razão.Aceita-se a Deus, mas apenas como um grande relojoeiro que fez sua obra prima (o cosmos), a dotou das forças necessárias para se autogerir e foi embora. A providência é jogada no lixo, surge o DEISMO. Um Deus sem culto e despersonalizado. O homem é senhor total e absoluto de seu próprio destino. Nega-se a transcendência. A realidade não é apreendida objetivamente pelo ser humano, mas construída intelectualmente através das percepções sensitivas que são próprias a toda raça humana.

É no contexto desta segunda negação que surge a Revolução Francesa, retirando dos templos católicos a presença dos santos e de Cristo eucaristia, e erigindo altares à Deusa Razão. Uma “contraditio terminis”, pois “mitologizam” a fé católica, retiram dos evangelhos tudo que seja milagroso e sobrenatural e ao mesmo tempo criam culto e templo para a “Deusa Razão”.

É um racionalismo fundando na irracionalidade do caos e da violência. Destinada intelectualmente ao fracasso, a revolução tinha seus dias contados, apesar da propaganda massiva da revolução perpetrada por Jacques-Louis David como o Juramento de Horácio (cena dramática que convida a população a pegar as armas) e sua obra prima criando o mártir da revolução no quadro “A morte de Marat”.

Nascida de exigências legítimas de uma população que sofria pela fome, crise nas colheitas e impostos sufocantes. No entanto, conduzida não pela razão que tanto defendia, mas pelo terror das guilhotinas. O lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, pese seu caráter evangélico e de se propor como novo evangelho, era escrito pelo sangue de muitos homens e mulheres que não se alinhavam. Vemos a expropriação das propriedades do clero, a assassinato de sacerdotes, religiosos e religiosas. A Fé católica é vista como fundamento do Ancient Regime e como tal deve ser varrida do mapa, como principal inimiga da revolução e de seus ideais.

Surge, então, como resposta a esta barbárie um novo absolutismo que se espalha por toda a Europa. Mas, o mundo já não era mais monárquico, a semente do pensamento revolucionário já tinha sido plantada. E mais tarde crescerá com mais furor através da revolução marxista que veremos a seguir na terceira negação.

 

 

DEUS NÃO, O HOMEM SIM

 

É a última negação presente no séc. XIX. Deus já não é necessário para garantir a ordem do mundo. A única realidade é a material e a este senhor devemos prestar contas. Seu fundamento é a filosofia Hegeliana. Onde o espirito absoluto é traduzido à matéria. E os indivíduos são apenas um momento, uma ocasião para o desenvolvimento da matéria, do mundo perfeito sem classes e de total igualdade.

Na filosofia marxista, não há pessoas, existe apenas o estado, que se desenvolve através da dialética de lutas de classes. O novo homem e nova humanidade marxista é a síntese final do processo dialético marxista, onde a tese são os sistemas econômicos burgueses e a antítese é a classe operária explorada. O marxismo acelera o confronto entre ambas que ocorrerá de modo necessário.

A visão de pessoa humana como um momento do processo dialético materialista é o que justifica a barbárie de mais de 100 milhões de pessoas exterminadas por Stalin. Os comunistas alegam que isto ocorreu porque Stalin desvirtuou a revolução. Em realidade, ele se apresenta como aquele que leva até as últimas consequências os pressupostos filosóficos da revolução.

A negação de Deus só é possível, em última instância, através da negação do ser humano, o que nos conduz a uma quarta negação.

 

O HOMEM NÃO

 

A degradação da razão humana conduz a negação da impossibilidade da existência de qualquer verdade absoluta. A filosofia hermenêutica presente na obra “Verdade e Método” de Gadamer é um exemplo. O homem constrói a verdade segundo seu grupo social e cultura, e este grupo com “suas verdade” é que constrói o homem e a verdade das coisas. Deste modo, a verdade é sempre mutável e não um termo “ad quo”, não há uma finalidade para vida humana, mas apenas uma construção de algo caótico a um nada último.

Esta visão epistemológica se apresenta como fundamento do relativismo moral e do indiferentismo religioso. Quando tudo é verdade, não existe verdade. E quando nada é objetivamente verdadeiro, todas as coisas são colocadas no mesmo plano, perdendo seu valor. Priva a racionalidade humana do principio de não contradição, conduzindo a humanidade a ações bárbaras.

Sobre a bandeira da tolerância, o relativismo implanta uma verdadeira ditadura da força e do poder. Pois quando não há uma verdade como critério e medida de nossas ações, se implanta a verdade subjetiva dos mais fortes. Por isso, as politicas e medidas sociais são implantadas não em vistas a um bem comum, ou um critério de bondade e verdade, mas segundo pressões sociais, econômicas ou interesses privados.

Assim vemos a aprovação das uniões homoafetivas, a aprovação do aborto em geral, e do bebê anencéfalo em especifico. O homem volta-se contra o mesmo homem, pois ferido em sua racionalidade, é incapaz de perceber as consequências de seus atos que vão contra a razão.

 

CONCLUSÃO: UNIDADE SUBSTANCIAL DO SER HUMANO

 

Existe uma profunda unidade entre as questões religiosas, econômicas, filosóficas, sociais e politicas. Não são elementos separados, pois quem as elabora, vive e pratica é o homem. O ser humano é o centro das questões.

Por isso, um subjetivismo religioso exacerbado de Lutero nos conduz a uma filosofia moderna que coloca o homem como criador da realidade e a Deus apenas como garantidor de uma ordem. Este racionalismo moderno exige a existência de um Deus impessoal e ordenador, surgindo o Deísmo próprio do iluminismo, com sua expressão mais “gloriosa e nefasta” instaurado no culto à “Deusa Razão” no período da Revolução Francesa. Revolução esta guiadas por um desejo de fazer o bem, mas com princípios que levariam ao terror. Neste processo de degradação da razão humana, o surgimento de regimes ateus, o indiferentismo e o relativismo presentes nos dias atuais são consequências naturais.

 

Fonte: Daniel Marques, em Zenit (veja aqui o artigo publicado no dia 28/06/12)