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	<title>Ciência, Fé e Cultura</title>
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	<description>Criando Pontes entre a Fé e o Mundo Contemporâneo</description>
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		<title>Fideísmo, o erro oposto ao cientificismo</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Apr 2013 20:12:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciência e fé]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemologia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fideísmo, o erro oposto ao cientificismo Artigo publicado na revista &#8220;O Mensageiro de Santo Antônio&#8221;. Abril/2013 A velocidade transformou-se na característica principal de nossa sociedade e em critério de qualidade. O novo apresenta-se automaticamente como melhor que o antigo. Os &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/fideismo-o-erro-oposto-ao-cientificismo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Fideísmo, o erro oposto ao cientificismo</strong></p>
<p><em>Artigo publicado na revista &#8220;O Mensageiro de Santo Antônio&#8221;. Abril/2013</em></p>
<p>A velocidade transformou-se na característica principal de nossa sociedade e em critério de qualidade. O novo apresenta-se automaticamente como melhor que o antigo. Os avanços tecnológicos se aplicam não apenas ao mundo exterior, mas de modo totalmente novo e radical ao ser humano. Realidades antes apenas contempladas na ficção entram em cheio na vida das pessoas. Problemas como os estudos com células-tronco, o aborto seletivo, a possível clonagem de seres humanos e a eutanásia são questões que saltaram do mundo acadêmico ou dos filmes e tocam o âmbito jurídico, político, social e econômico. O que dizer sobre tudo isso?<br />
Será que o tecnologicamente possível é sempre eticamente viável? Será que a ciência e a ética estão completamente desconectadas? Será que a ética só pode ser entendida dentro de um contexto religioso e como tal deve ser rejeitada? Existe um ponto de racionalidade comum a todos os seres humanos da qual possa nascer uma ética universal independente de uma confissão religiosa específica? Buscar essa ética universal significa rejeitar a priori toda manifestação religiosa concreta, pois seria um obstáculo para a universalidade?</p>
<p>É inegável que a maioria dos confrontos de hoje em dia entre religião e ciência tem como campo de batalha a bioética. É muito natural que, diante de conflitos e problemas, busquemos logo soluções práticas. Contudo, uma ortopráxis sem uma ortodoxia mostra-se algumas vezes como contraproducente.</p>
<p>No Brasil, há um grande embate sobre a questão da vida. No ano passado, inúmeros grupos cristãos protestaram contra a decisão do Supremo Tribunal Federal em permitir o aborto em caso de bebês diagnosticados com anencefalia. Da mesma forma, protestaram contra o anteprojeto do novo Código Penal, que prevê um notável abrandamento da lei em relação ao aborto e deixa brechas para implantar a eutanásia no país. Por um lado, uma parte dos que defendem o aborto e a eutanásia considera que argumentos contrários a essas práticas pertencem a uma esfera da subjetividade religiosa e que não devem ser um critério objetivo para uma decisão em vista da promoção de uma sociedade justa. Por outro lado, uma parte dos cristãos que defendem a vida afirma que sua importância só pode ser percebida plenamente através da fé, elemento que falta aos que a atacam.</p>
<p>Apresentam-se assim duas posturas opostas: o fideísmo religioso e o racionalismo materialista-cientificista. Na dimensão de tal antagonismo não é possível o diálogo, pois são mundos incomensuráveis e com jogos de palavras próprios. No entanto, apesar de uma aparente divergência, há uma unidade de método, pois a lógica que impera em ambas é a do poder e da força. Como as duas posturas se apresentam equidistantes ou incomunicáveis, nunca se chegará a um consenso através da verdade, mas através da imposição e da propaganda.</p>
<p>A harmonia entre razão e fé, ciência e religião não é algo apenas a ser construído, mas sobretudo descoberto e manifestado. Não são dois elementos in se, separados. A comunhão entre esses dois campos brota da única natureza humana. Eles fazem parte do nosso ser e se manifestam em nosso pensar e agir. Uma ponte entre ciência e religião não precisa ser construída – ela já existe, pois o ser humano é o cidadão dos dois mundos. O ser humano é, em si, a ponte. Atacar a ciência e a razão, a fé e a religião é atacar, ao mesmo tempo, o ser humano.</p>
<p>Uma postura cientificista ou fideísta traz em si uma visão de ser humano que torna incompatível o diálogo entre ciência e religião, bem como consequências éticas terríveis para a humanidade. Meus colegas nesta coluna já comentaram em várias ocasiões o tema do cientificismo, a noção de que o único conhecimento válido é o que pode ser conferido empiricamente. Hoje, vamos nos dedicar ao erro oposto, o fideísmo, uma postura igualmente perigosa que nos conduz a uma visão de ser humano que cria ruptura entre a fé e a razão.</p>
<p>No fideísmo, a razão humana está de tal modo corrompida pelo pecado que lhe seria impossível alcançar qualquer verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre si mesmo, se não fosse por uma intervenção direta de Deus através da graça do Espirito Santo e da revelação contida na Sagrada Escritura, que deve ser estudada e interpretada literalmente, pois cada caractere bíblico é a manifestação exata e concreta da vontade de Deus. Essa postura nega qualquer importância de outras ciências como a História, a Paleontologia, a Filosofia, a Biologia e a Física como fontes de conhecimento verdadeiras e que, em certo modo, ajudam a uma melhor compreensão da fé. A vida humana só pode ser defendida desde o âmbito da Sagrada Escritura. Naturalmente o homem está privado de perceber com a luz da razão o valor e a dignidade da pessoa humana em si mesma.</p>
<p>Para o fideísta, o ser humano é um ser corrompido; sua dimensão racional e espiritual está completamente separada; e somente uma ação extrínseca (a ação divina) pode produzir verdade. Fora disso, qualquer outra ciência é uma construção puramente subjetiva e imperfeita. Novamente cria-se nessa postura dualista uma cisão entre ciência e religião, razão e fé.</p>
<p>A tendência geral ao fideísmo é muito forte e natural no âmbito das religiões, pois elas buscam constantemente escutar a voz de Deus para poder atuar. Desse modo, podem justificar que qualquer negação do estatuto de pessoa humana a um embrião desde a concepção se deve a uma corrupção da inteligência e da vontade que impede as pessoas de ver o caminho correto a seguir.</p>
<p>Poder-se-ia ressaltar que tanto o fideísmo quanto o materialismo possuem um mesmo fundamento. Uma desconfiança da razão, seja para captar a verdade das coisas naturais (como no fideísmo), como para captar a verdade das coisas sobrenaturais (como no cientificismo). Há uma impossibilidade intrínseca de diálogo entre esses dois mundos. Uma razão humana degradada e incapaz de descobrir (de modo apreensivo e não omnicompreensivo) a verdade das coisas em toda sua complexidade conduz à impossibilidade da existência de qualquer verdade absoluta. A filosofia hermenêutica presente na obra Verdade e Método, de Gadamer, é um exemplo. O homem constrói a verdade segundo seu grupo social e cultura, e este grupo, com “suas verdades”, constrói o homem e a verdade das coisas. A verdade é sempre mutável e não um termo ad quo, não há uma finalidade para a vida humana, mas apenas uma construção de algo caótico a um nada último.</p>
<p>Essa visão epistemológica se apresenta como fundamento do relativismo moral e do indiferentismo religioso. Quando tudo é verdade, não existe verdade. E, quando nada é objetivamente verdadeiro, todas as coisas são colocadas no mesmo plano, perdendo seu valor. Isso priva a racionalidade humana do principio de não contradição, conduzindo a humanidade a ações bárbaras. Sob a bandeira da tolerância, o relativismo implanta uma verdadeira ditadura da força e do poder. Pois, quando não há uma verdade como critério e medida de nossas ações, impera a verdade subjetiva dos mais fortes. Por isso, políticas e medidas sociais são implantadas não em vista de um bem comum, ou sob um critério de bondade e verdade, mas segundo pressões sociais, econômicas ou interesses privados. O homem volta-se contra o mesmo homem, pois, ferido em sua racionalidade, é incapaz de perceber as consequências de seus atos que vão contra a razão.</p>
<p>Tanto o fideísta quanto o cientificista/racionalista, convencidos da impossibilidade de um diálogo natural e enriquecedor entre os dois mundos, buscarão estratégias de poder e de dominação pela força. A ruptura entre ratio e fides é definitivamente uma ruptura entre a realidade material e espiritual, que se encontra unida na pessoa humana. Em nossas próximas colunas, voltaremos a esse tema.</p>
<p>Daniel Marques é seminarista da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Participou do VII Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião, realizado em 2012 no Rio de Janeiro, e do Curso de Verão do Instituto Faraday para Ciência e Religião, da Universidade de Cambridge. Mestrado em Filosofia da Ciência e Cultura.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Atentado de Boston e Berkeley</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 23:52:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Esse est percipi&#8221; (só é aquilo que é percebido, de Berkeley) Adaptando um pouco do significado da frase de Berkeley, percebo a importância da midia. Rezando pelo atentado ocorrido em Boston, mas também rezando muito por outros grandes atentados que &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/atentado-de-boston-e-berkeley/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Esse est percipi&#8221; (só é aquilo que é percebido, de Berkeley)</p>
<p>Adaptando um pouco do significado da frase de Berkeley, percebo a importância da midia. Rezando pelo atentado ocorrido em Boston, mas também rezando muito por outros grandes atentados que não recebem tantos holofotes como as centenas de pessoas que são dizimadas diaramente na África, e pelos cristãos que são perseguidos e assassinados por causa de sua fé no Oriente. Seria muito bom também despertar para essa realidade. Nosso mundo, preocupações, desejos e orações não pode ser limitado ao pequeno mundo da mídia. Abramos nossos olhos.</p>
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		<title>Anjos e Milagres: O limite do amor é amar sem medida</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2013 01:15:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aborto]]></category>
		<category><![CDATA[Bioética]]></category>

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		<description><![CDATA[Emocionei-me muito, pois enquanto passava a reportagem sobre esses dois milagres,  pensei em todos &#8220;anjos&#8221; como eles, mas que foram abortados. &#8220;Marco Aurelio e Claudio nasceram com doenças graves e,  segundo os médicos, teriam poucas chances de sobreviver e chegar &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/anjos-e-milagres-o-limite-do-amor-e-amar-sem-medida/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Emocionei-me muito, pois enquanto passava a reportagem sobre esses dois milagres,  pensei em todos &#8220;anjos&#8221; como eles, mas que foram abortados.</p>
<p>&#8220;Marco Aurelio e Claudio nasceram com doenças graves e,  segundo os médicos, teriam poucas chances de sobreviver e chegar à vida adulta. Mas, contrariando todas as expectativas, com muita garra e a total ajuda da família , os dois conseguiram chegar lá.&#8221; (fonte: Fantástico)</p>
<p>“A anencefalia é ainda, nos dias de hoje, uma doença congênita letal, mas certamente não é a única; existem outras: acardia, agenedia renal, hipoplasia pulmonar, atrofia muscular espinhal, holoprosencefalia, ostogênese imperfeita letal, trissomia do cromossomo 13 e 15, trissomia do cromossomo 18. São todas afecções congênitas letais, listadas como afecções que exigirão de seus pais bastante compreensão devido à inexorabilidade da morte.&#8221; (Trecho do voto de Lewandowski contra a aprovação do aborto em casos de bebês com anencefalia)</p>
<p><a title="Confira a reportagem aqui (Fantástico, 14/04/2013)" href="http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/04/com-paralisia-cerebral-jovem-frequenta-faculdade-com-o-pai-e-se-forma-em-jornalismo.html" target="_blank">http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/04/com-paralisia-cerebral-jovem-frequenta-faculdade-com-o-pai-e-se-forma-em-jornalismo.html</a></p>
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		<title>Concilio Vaticano II no contexto histórico do século XX</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Nov 2012 20:39:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidades]]></category>
		<category><![CDATA[Zenit]]></category>

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		<description><![CDATA[Concilio Vaticano II no contexto histórico do século XX Entrevista com o Prof. Dr. Rodrigo Coppe Caldeira, Historiador e Professor Adjunto da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais &#160; Caros amigos, Publico uma entrevista que fiz ao Prof. Dr. Rodrigo &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/concilio-vaticano-ii-no-contexto-historico-do-seculo-xx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h1>Concilio Vaticano II no contexto histórico do século XX</h1>
<p><strong>Entrevista com o Prof. Dr. Rodrigo Coppe Caldeira, Historiador e Professor Adjunto da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caros amigos,</p>
<p>Publico uma entrevista que fiz ao Prof. Dr. Rodrigo Coppe sobre o Concilio Vaticano II, espero que gostem. Enviem seus comentários e sugestões para novas entrevistas com outros personagens e temas interessantes.  Ao final está o link para votarem no blog que está disputando o TOPBLOG 2012. Conto com a participação de vocês.</p>
<p>Abraços, Daniel</p>
<p>***</p>
<p>Por Daniel Marques</p>
<p>RIO DE JANEIRO, sexta-feira, 02 de novembro de 2012 (<a href="http://www.zenit.org/article-31687?l=portuguese">link para a entrevistsa no ZENIT.org</a>) – Publicamos a seguir a entrevista que o Prof. Dr. Rodrigo Coppe Caldeira, Historiador e Professor Adjunto da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, concedeu a ZENIT sobre o Concílio Vaticano II no contexto histórico do século XX.</p>
<p>***</p>
<p><strong>ZENIT: Poderia explicar o Concilio Vaticano II no contexto histórico do século XX?</strong></p>
<p>Prof. Dr. Rodrigo: Entender o concílio num contexto histórico mais alargado é um esforço que venho fazendo. De fato, este esforço é necessário na medida em que se busque uma hermenêutica do concílio em que leve em conta tanto o seu lugar particular na história dos concílios da Igreja, sendo aquele que recepciona as determinações dos anteriores, e também como aquele que traz novas formas da Igreja pensar a si mesma e suas relações com o mundo contemporâneo. Dessa forma, é de central importância compreendê-lo numa convergência histórica que possibilite vizualizá-lo numa longa duração, sendo ele mesmo entendido como um &#8220;evento de recepção&#8221;, além, claro, de criador de novas possibilidades da Igreja caminhar e ser sinal na história humana. Lembro-me, assim, de vários movimentos eclesiais que abriram os caminhos para que a Igreja se pensasse e agisse de forma não mais apenas antinômica ao mundo, mas oferecesse outras perspectivas, atualizadas (aggiornamento), de compreensão de si, de formas de atuação, de encontro com a pluralidade contemporânea. Foram estes movimentos que se delinearam inicialmente no final do século XIX e início do XX, como o movimento litúrgico, o bíblico, o teológico, especialmente com a emergência da eclesiologia de comunhão, o leigo, com cada vez mais ativa participação dos fieis na obra evangélica, que serão recepcionados no Vaticano II em várias de suas perspectivas.</p>
<p><strong>ZENIT: Cada período histórico possui sua própria modernização, entendida como período de mudanças sociais, políticas, culturais, econômicas e religiosas. O que a história nos ensina sobre o esforço da Igreja Católica em dialogar com esse mundo em mudança?</strong></p>
<p>Prof. Dr. Rodrigo: Utilizando-se de uma linguagem teológica, podemos dizer que a Igreja age no mundo a partir da atuação do Espírito Santo. A Igreja peregrina, assim, mantém viva a força do Evangelho durante os séculos a partir da sua capacidade em se adptar aos meios mais adversos. O Vaticano II &#8211; inclusive compreendido como um &#8220;novo Pentecostes&#8221; por João XXIII, o papa que o convocou &#8211; representa mais um destes momentos históricos que exigem da Igreja uma resposta, uma transformação, uma conversão, a fim de que se torne mais fiel ao Evangelho e que, a partir de uma linguagem que seja compreensível ao homens contemporâneos, possa se fazer presença, inspirando-os sempre e mais profundamente a vivê-lo de maneira criativa e fiel.</p>
<p><strong>ZENIT: Quais as novidades do CVII? O que significa interpretar o CVII? É possível compreender e interpretar o CVII sem considerar o processo de recepção?</strong></p>
<p>Prof. Dr. Rodrigo: Eis a pergunta que não quer calar, e é bom que não se cale, pois isso demonstra que estamos pensando o concílio e as maneiras de recepcioná-lo. São inúmeras as transformações da Igreja como evento conciliar. E aqui cito algumas: redescoberta da teologia patrística, a compreensão da Igreja como comunhão de fiéis, não apenas uma instituição jurídica visível, mas Corpo Místico de Cristo, a abertura ao diálogo ecumênico e interreligioso, a compreensão da positividade da liberdade religiosa, a centralidade da Palavra de Deus, entre muitas outras.</p>
<p>Interpretar o Vaticano II já é em si um ato de recepção do concílio. Assim, especialmente depois do discurso de Bento XVI aos cardeais no Natal de 2005, quando o papa fez referência às hermenêuticas do concílio, os debates sobre a temática vêm crescendo entre teólogos e historiadores. Assim, todo processo de recepção é um ato interpretativo que se dá tanto no âmbito do Magistério da Igreja, como também entre as Igrejas Particulares, que, em seu contexto sócio-político, econômico e cultural, lêem e interpretam  &#8211; ou seja, recepcionam &#8211; as determinações conciliares, encarnando suas principais intuições em função da realidade circundante. Observem, por exemplo, a Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano de Medellín ocorrida em 1968. Esse grande encontro é compreendido como um ato interpretativo do concílio para a realidade de nosso continente. O que o concílio nos diz, o que ele traz para a nossa realidade</p>
<p><strong>ZENIT: O que se pode dizer do CVII como evento lingüístico? </strong></p>
<p>Prof. Dr. Rodrigo: A tese que compreende o Vaticano II como um evento linguístico é do padre norte-americano John O&#8217;Malley. Esta é apenas mais uma forma, entre tantas outras, de se interpretar o Vaticano II, de fato, muito plausível. Entender o Vaticano II como um &#8220;evento linguístico&#8221; é tentar a partir da linguagem dos textos conciliares, de sua retórica, compreender o seu &#8220;espírito&#8221;, o &#8220;espírito do concílio&#8221;. Segundo O&#8217;Malley, ocorre com o Vaticano II um &#8220;dramático deslocamento de estilo&#8221;, uma nova maneira de pensar a relação entre a Igreja e o mundo, não marcado por anátemas, mas por relação convidativa, aberta e dialogal. Outras palavras que aparecem nos documentos finais e trazem esta perspectiva inaugurada por Roncalli em seu discurso de abertura do concílio são “desenvolvimento”, “progresso” e até mesmo “evolução&#8221;. Palavras que assinalariam o deslocamento perpetrado pelo concílio. Notavelmente, em seus textos, não estão presentes palavras de exclusão, inimizade, intimidação, punição e vigilância. Dessa forma, entendido como um evento linguístico , o Vaticano II transformou o modo da Igreja falar do mundo e com o mundo, e palavras como “cooperação”, “parceria”, “colaboração” e “diálogo” são constantes em seus documentos para definir esta relação.</p>
<p><strong>ZENIT: Você considera que apesar dos 50 anos do CVII ainda não existe um debate que permita uma compreensão da complexidade e importância desse evento?</strong></p>
<p>Prof. Dr. Rodrigo: Surge, aqui e ali, algumas falas que tentam desqualificar o evento. Porém é possível notar que Bento XVI está muito atento a estas questões. Ao meu juízo, a temática do concílio é a principal na agenda do atual papado, como também já o era no do beato João Paulo II. Acredito que o debate se aprofunda cada vez mais, já que a recepção do Vaticano II é crucial para a Igreja do terceiro milênio. Todavia, é preciso estar atentos aos termos do debate e o lugar do concílio na história bimilenar da Igreja.</p>
<p>Para maiores informações sobre essa entrevista: <a href="http://www.cienciafecultura.org/">www.cienciafecultura.org</a>; <a href="mailto:contato@cienciafecultura.org">contato@cienciafecultura.org</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a> </a><strong><a>O Ciência, Fé e Cultura está concorrendo por primeira vez ao prêmio Top Blog 2012. </a></strong></p>
<p><a href="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/10/selo_33019_173281_22173281.gif"><img title="Votação TOP BLOG" src="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/10/selo_33019_173281_22173281-120x150.gif" alt="" width="120" height="150" /></a></p>
<p><a href="http://www.topblog.com.br/2012/index.php?pg=busca&amp;c_b=22173281" target="_blank">Clique aqui e deixe seus votos. </a></p>
<p>*Você pode votar usando seu email, facebook e twitter. Muito obrigado!</p>
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		<item>
		<title>A pessoa humana como ponte entre a Ciência e a Fé. (I)</title>
		<link>http://www.cienciafecultura.org/a-pessoa-humana-como-ponte-entre-a-ciencia-e-a-fe-i/</link>
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		<pubDate>Fri, 26 Oct 2012 22:12:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[ciência e fé]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Marques]]></category>

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		<description><![CDATA[A pessoa humana como ponte entre a Ciência e a Fé. (I) Caros amigos, publicarei aos poucos o comunicado que fiz no VII Congresso Latino Americano de Ciência e Religião desenvolvido na PUC-RJ em parceira com a universidade de OXFORD &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/a-pessoa-humana-como-ponte-entre-a-ciencia-e-a-fe-i/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A pessoa humana como ponte entre a Ciência e a Fé. (I)</strong></p>
<p>Caros amigos, publicarei aos poucos o comunicado que fiz no VII Congresso Latino Americano de Ciência e Religião desenvolvido na PUC-RJ em parceira com a universidade de OXFORD e o Instituto TEMPLENTON.</p>
<p>Apresentei como proposta a necessidade de resgatar um debate profundo sobre o significado da pessoa humana como fundamento para um diálogo harmonioso entre ciência e religião.</p>
<p>Deixo a introdução. Espero que gostem. Escrevam seus comentários e críticas.</p>
<p>Abraços, Daniel</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>
<p>A velocidade transformou-se na característica principal de nossa sociedade e critério de qualidade. O novo apresenta-se automaticamente como melhor do que o antigo. Os avanços tecnológicos se aplicam não apenas ao mundo exterior, mas de modo totalmente novo e radical ao ser humano. Realidades antes apenas contempladas na ficção entram de cheio na vida das pessoas. Problemas como os estudos com células-tronco, o aborto seletivo, a possível clonagem de seres humanos, a eutanásia são questões que saltaram do mundo acadêmico ou dos filmes e tocam o âmbito jurídico, político, social e econômico. O que dizer sobre tudo isso?</p>
<p>Será que o tecnologicamente possível é sempre eticamente viável? Será que a ciência e a ética estão completamente desconectadas? Será que a ética só pode ser entendida dentro de um contexto religioso e como tal deve ser rejeitada? Existe um ponto de racionalidade comum a todos os seres humanos do qual posso nascer uma ética universal independente de uma confissão religiosa específica? Buscar essa ética universal significa rejeitar “a priori” toda manifestação religiosa concreta, pois seria um obstáculo para a universalidade?</p>
<p>Este comunicado não é sobre os problemas bioéticos, no entanto, é inegável que a maioria dos confrontos entre religião e ciência tem como campo de batalha a bioética. É muito natural que diante de conflitos e problemas, busquemos logo soluções práticas. Contudo, uma “ortopraxis” sem uma “ortodoxia” mostra-se algumas vezes como contraproducente.</p>
<p>No Brasil, há um grande embate sobre a questão da vida. Há alguns meses, inúmeros grupos cristãos protestaram contra a decisão do Supremo Tribunal Federal em permitir a antecipação terapêutica do parto em caso de bebês diagnosticados com anencefalia (ADPF, no. 54). Atualmente, protestam contra o anteprojeto do novo código penal onde prevê um notável abrandamento da lei em relação ao inicio da vida (aborto) e ao final desta (proposta de implantar a eutanásia no país).</p>
<p>Por um lado, uma parte dos que defendem o aborto e a eutanásia considera que argumentos em contra a estas práticas pertencem a uma esfera da subjetividade religiosa e que não devem ser um critério objetivo para uma decisão em vista da promoção de uma sociedade justa. Por outro lado, uma parte dos cristãos que defendem a vida afirma que sua importância só pode ser percebida plenamente através da fé, elemento que falta aos que a atacam.</p>
<p>Apresentam-se assim duas posturas opostas: o fideísmo religioso e o racionalismo-materialista-cientificista. Na dimensão de tal antagonismo não é possível o diálogo, pois são mundos incomensuráveis e com jogos de palavras próprios. No entanto, apesar de uma aparente divergência há uma unidade de método, pois a lógica que impera em ambos é a do poder e da força. Como as duas posturas se apresentam equidistantes ou incomunicáveis, nunca se chegará a um consenso através da verdade, mas através da imposição e da propaganda.</p>
<p>pergunta original e que fará parte de nossa discussão é a seguinte? Que consequências podem surgir do conceito de pessoa humana fundado numa certa posição cientificista/materialista? Que consequências podem surgir de uma posição fideísta? E o objetivo é mostrar que a harmonia entre razão e fé, ciência e religião não deve ser algo apenas a ser construído, mas sobretudo, descoberto e manifestado. Não são dois elementos <em>in se</em>, separados, mas brotam da comum natureza humana. Fazem parte do nosso ser e que se manifestam em nosso agir e pensar. Uma ponte entre ciência e religião não precisa ser construída, ela já existe, pois o ser humano é o cidadão dos dois mundos, o ser humano é, em si, essa ponte. Atacar a ciência e a razão, a fé e a religião é atacar ao mesmo ser humano.</p>
<p>Comecemos então por explicitar o que é cientificismo racionalista e suas consequências práticas, depois o exporemos sobre o fideísmo. Por último, a proposta de uma visão de ser humano que manifeste em si uma harmonia entre material e espiritual, entre a dimensão horizontal e vertical.</p>
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<p><a> </a><strong><a>O Ciência, Fé e Cultura está concorrendo por primeira vez ao prêmio Top Blog 2012. </a></strong></p>
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		<title>O prêmio nobel de medicina mostra que nem todo limite é negativo</title>
		<link>http://www.cienciafecultura.org/o-premio-nobel-de-medicina-mostra-que-nem-todo-limite-e-negativo/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Oct 2012 22:34:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ O prêmio nobel de medicina mostra que nem todo limite é negativo. Por Daniel Marques Neste mês, o britânico John Gurdon e o japonês Shinya Yamanaka ganharam o prêmio nobel de medicina provando que nem todo limite é uma negação, &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/o-premio-nobel-de-medicina-mostra-que-nem-todo-limite-e-negativo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong> O prêmio nobel de medicina mostra que nem todo limite é negativo.</strong></p>
<p>Por Daniel Marques</p>
<p>Neste mês, o britânico John Gurdon e o japonês Shinya Yamanaka ganharam o prêmio nobel de medicina provando que nem todo limite é uma negação, mas pode significar direção. A pesquisa que garantiu o tão cobiçado prêmio revolucionou a concepção que a ciência tinha em relação às células e tecidos humanos.</p>
<p>Em 1962, Gurdon provou que o processo de especialização das células é reversível. Em 2006, Yamanaka conseguiu que as células adultas de camundongos fossem reprogramadas em células-tronco pluripotentes. Qual é a importância e significado ético dessa descoberta?</p>
<p>Significa que não precisa destruir um embrião humano para obter as células-tronco e realizar os estudos necessários na busca pela cura de milhares de enfermidades. O mais interessante é que enquanto os estudos com células-tronco adultas (CTA) já possuem centenas de resultados positivos. Atualmente, ainda não houve um projeto de sucesso com células-tronco obtidas pela destruição do embrião (CTE).</p>
<p>Teoricamente, as CTE possuem aplicações infinitas, no entanto, na prática elas têm se mostrado limitadas e produzem experimentos que só conduzem a formação de células cancerígenas. No meu ponto de vista, essa limitação não é algo negativo em si, às vezes, ela nos indica que o caminho a ser percorrido pela ciência deve ser outro para obter o sucesso.</p>
<p>Esse limite está de acordo com as questões éticas, já que para a produção de CTE é necessário matar uma pessoa humana em seu estado embrionário. A Igreja Católica sempre foi contra este tipo de técnica, mesmo que um dia possa produzir resultados positivos, já que um fim bom não justifica e nem faz bom um meio mal. O ser humano não pode ser instrumentalizado, isso vai contra sua dignidade. Romper essa norma é abrir espaços para abusos.</p>
<p>Por outro lado, a Igreja Católica sempre motivou e financiou projetos com CTA. A técnica está serviço da pessoa humana e não o contrário. O limite técnico das CTE deve ser um alerta no mundo da ciência sobre o valor ético de seus estudos. Nem todo limite é negativo, algumas vezes é a aceitação de uma realidade mais complexa que nos direciona por outros rumos mais de acordo ao nosso ser e existir.</p>
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<p><strong><a>O Ciência, Fé e Cultura está concorrendo por primeira vez ao prêmio Top Blog 2012. </a></strong></p>
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		<title>Semana em Cambridge</title>
		<link>http://www.cienciafecultura.org/semana-em-cambridge/</link>
		<comments>http://www.cienciafecultura.org/semana-em-cambridge/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Oct 2012 21:30:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cambridge]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma semana em Cambridge Pelo jornalista Márcio Campos Fonte: Blog Tubo de Ensaio Já está rolando, no Rio de Janeiro, o VII Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião. Pude participar da edição anterior desse evento, na Cidade do México, e &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/semana-em-cambridge/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma semana em Cambridge</strong><br />
Pelo jornalista Márcio Campos<br />
Fonte: <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/blog/tubodeensaio/">Blog Tubo de Ensaio</a></p>
<p>Já está rolando, no Rio de Janeiro, o VII Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião. Pude participar da edição anterior desse evento, na Cidade do México, e tive a chance de fazer uma apresentação curta. Este ano não fui ao Rio, mas um amigo, o seminarista Daniel Marques, está lá; sua apresentação está marcada para amanhã.</p>
<p>O Daniel está repetindo em 2012 o caminho que eu trilhei em 2011. Vocês se lembram que, antes de ir ao México, eu tinha feito um curso em Cambridge, graças a uma bolsa concedida pelo Instituto Faraday. Em julho deste ano, foi a vez do Daniel ganhar uma bolsa. Recentemente, ele escreveu um relato para o Tubo, que publico hoje, desejando-lhe sucesso em sua participação no Rio.</p>
<p><strong>Cambridge, excelência com herança cristã</strong></p>
<p>Por <em>Daniel Marques</em></p>
<p>Para quem é fã da ciência e da cultura, não há melhor oxigênio que passear ao fim da tarde nos colleges da Universidade de Cambridge. Caminhar pelos mesmos corredores por onde passou uma eminência da ciência como o pai da Física moderna, Isaac Newton. Ver, na capela do Trinity College, a estátua de Francis Bacon, um dos fundadores do método científico. Descobrir um pouco mais quem é Peter Higgs, postulador do bosón de Higgs. É maravilhoso contemplar as mesmas paisagens que inspiraram o filósofo Bertrand Russell, o economista Amartya Sen e o biólogo Charles Darwin. E nada melhor que rezar na capela onde celebrava missa diariamente o sacerdote George Lemaître, que postulou a teoria do Big Bang. E, para concluir, ir com os amigos ao The Eagle, bar onde os descobridores da estrutura do DNA, Francis Crick e James Watson, tomavam uma boa cerveja. A lista poderia continuar com pessoas como Stephen Hawking e Alan Turing, já que esta eminente universidade possui 87 acadêmicos só na lista de ganhadores do prêmio Nobel.<br />
Foi nesta cidade universitária que tive a oportunidade de participar, durante uma semana no mês de julho, de um congresso promovido pelo Faraday Institute for Science and Religion, cujo objetivo é promover uma pesquisa interdiciplinar para maior compreensão da relação entre ciência e religião através de cursos, conferências, debates, palestras e seminários. Ganhei viagem e hospedagem gratuitas para o curso de verão &#8220;Science and Religion – the view both ways&#8221;. Lá pude conhecer e conviver com pessoas de diversas partes do mundo e de diferentes credos – e também ateus. O que nos unia era a convicção intelectual de que o ser humano é o maior beneficiado pela promoção de um frutuoso diálogo entre ciência e religião. Diálogo que implica purificar tanto a nossa noção de ciência quanto a concepção de religião, para assim não cair no perigo de um fideísmo fundamentalista ou de um cientificismo irracional.</p>
<p>Ideia esta que trazia comigo desde meu mestrado em Filosofia da Ciência, e que foi confirmada pelos 20 conferencistas de importantes universidades do mundo. Cito alguns para compreender a importância e altura acadêmica de tal congresso: o reverendo dr. John Polkighorne, teólogo e um dos físicos que ajudou na descoberta dos quarks, ressaltou a importância de uma boa compreensão filosófica que permita criar a ponte entre ciência e religião. O dr. Peter Clarke, pesquisador e professor no Departamento de Biologia Celular e Morfologia da Universidade de Lausanne (Suiça), falou sobre &#8220;o cérebro, uma máquina neurológica&#8221;. Defendeu a tese de que toda a riqueza e beleza do ser humano não pode ser reduzida a seu cérebro, apresentando as pesquisas mais recentes sobre este campo.</p>
<p>O dr. Paul Shellard, PhD em Cosmologia pela Universidade de Cambridge, fez seu pós-doutorado no MIT e atualmente é pesquisador e coordenador do Departamento de Matemáticas Aplicadas e Teorias Físicas da Universidade de Cambridge, diretor do projeto Cosmos e trabalha junto com Stephen Hawking. Falou sobre o princípio antrópico e o imenso conjunto harmônico de elementos e constantes físicas que foram necessários para que surgisse o universo como conhecemos. Além deles, contamos com a presença da dra. Jennifer Wiseman (reponsável pelos estudos dos exoplanetas e estrelas da Nasa); o dr. Alister McGrath e o dr. Ian Hutchinson (professor de Ciência e Engenharia Nuclear no MIT).</p>
<p>Os temas foram os mais diversos. Versaram sobre o livre arbítrio, a existência de vida extraterrestre, o determinismo científico, o evolucionismo, a inteligência artificial, o significado da pessoa humana, paleontologia, genética e comportamento humano. O mais importante era que cada tema foi ministrado por um especialista de renome mundial, dando credibilidade aos trabalhos e afirmações propostas.</p>
<p>Deste modo, pude ver claramente que em diversas partes do mundo existe um trabalho sério e academicamente respeitável que busca desenvolver o estudo, compreensão e promoção de uma sadia relação entre ciência e religião. Esta realidade está chegando ao Brasil através do VII Congresso Latino Americano sobre Ciência e Religião promovido na PUC-RJ em parceria com a Universidade de Oxford. Nele estarão presentes grandes acadêmicos que não tratam com superficialidade este assunto, como os professores Peter Harrison, Ronald Numbers e Marcelo Gleiser.</p>
<p>Cambridge é, em si mesma, um grande monumento vivo e visível dos frutos que podem surgir quando se promove uma relação saudável entre ciência e religião. Os grandes acadêmicos que existiram e existem nesta cidade vivem da herança cristã. Eles seguem um horário e dedicação similares aos dos monges da Idade Média que fundaram os colleges. São como consagrados aos estudos. Os mesmos colleges possuem a arquitetura de verdadeiros mosteiros com claustro, capela, coro, refeitório comum e habitações individuais. Nas grandes festas, as refeições são precedidas e finalizadas com orações em latim.</p>
<p>Cada estudante possui um tutor, imitando a figura do diretor espiritual, que guiava individualmente seu pupilo. Muitas destas práticas podem ter caído no ritualismo e no tradicionalismo. Mas é impossível entender Cambridge e sua excelência acadêmica sem sua herança cristã, que oferece a disciplina para a reflexão acadêmica e a abertura de espírito que impulsiona ao ser humano a buscar a verdade e a desenvolver e promover o conhecimento.</p>
<p><a href="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/10/20121004-161137.jpg"><img src="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/10/20121004-161137.jpg" alt="20121004-161137.jpg" class="alignnone size-full" /></a></p>
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		<title>Prêmio que supera o Nobel promove a dimensão espiritual do ser humano</title>
		<link>http://www.cienciafecultura.org/premio-que-supera-o-nobel-promove-a-dimensao-espiritual-do-ser-humano/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Sep 2012 22:36:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciência e fé]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Prêmio Templeton: para a promoção da dimensão espiritual da vida humana Por Daniel Marques RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 13 de setembro de 2012 (ZENIT.org) &#8211; Todos os anos ficamos apreensivos esperando pelas grandes personalidades que receberão o Prêmio Nobel. Antes, &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/premio-que-supera-o-nobel-promove-a-dimensao-espiritual-do-ser-humano/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Prêmio Templeton: para a promoção da dimensão espiritual da vida humana</strong></p>
<p>Por Daniel Marques</p>
<p>RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 13 de setembro de 2012 (<a href="http://www.zenit.org">ZENIT.org</a>) &#8211; Todos os anos ficamos apreensivos esperando pelas grandes personalidades que receberão o Prêmio Nobel. Antes, durante e depois da cerimônia todos os meios de comunicação só falam sobre os ganhadores e suas descobertas. Confiamos que serão pessoas que revolucionaram de algum modo no campo das ciências, da cultura e da paz. No entanto, poucos conhecem o maior prêmio monetário do mundo, que a cada ano se propõe a entregar um valor sempre superior ao Prêmio Nobel.</p>
<p><a href="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/09/TP_templeton_1973mothertere.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-480" title="TP_templeton_1973mothertere" src="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/09/TP_templeton_1973mothertere.jpg" alt="" width="113" height="140" /></a><a href="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/09/dalai-lama-templeton.jpg"><img class="alignnone  wp-image-479" title="dalai lama templeton" src="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/09/dalai-lama-templeton-150x150.jpg" alt="" width="138" height="138" /></a></p>
<p>Este é o Prêmio Templeton (<a href="http://www.templeton.org/">www.templeton.org</a>), <em>entregue de forma individual a uma pessoa viva que tenha contribuido de maneira excepcional para a promoção da dimensão espiritual da vida humana</em> seja através de um insight, de uma descoberta ou um trabalho prático. Este ano foi entregue a Dalai Lama o reconhecimento e o valor equivalente a 1,7 milhões de dólares.</p>
<p>Na lista de 40 anos de premiação, configuram pessoas como a Beata Madre Teresa (primeira a receber o prêmio); Chiara Lubich, a fundadora do Comunhão e Libertação; o presbítero, físico e filósofo John C. Polkinghorne; o matemático, físico e astrônomo John D. Barrow, entre outras grandes personalidades acadêmicas e religiosas do mundo.</p>
<p>Com certeza, as descobertas trazidas pelos ganhadores do Prêmio Nobel são importantes para o desenvolvimento do ser humano. Contudo, o Prêmio Templenton deseja ressaltar que qualquer desenvolvimento técnico, social, político ou cultural que afogue a dimensão espiritual do ser humano, não é verdadeiro é em realidade um retrocesso. E nos recorda que o verdadeiro progesso da humanidade passa de modo necessário através do reconhecimento e promoção da dimensão espiritual e religiosa inerente à natureza humana. O mistério do homem só pode ser plenamente compreendido através no mistério do divino que permeia toda nossa história.</p>
<p>Fonte:<a title="Artigo Zenit 2" href="http://www.zenit.org/article-31267?l=portuguese" target="_blank"> Zenit</a></p>
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		<title>Originais de Newton num clique</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Sep 2012 21:30:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cambridge]]></category>
		<category><![CDATA[ciência e fé]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Imagine você colocar as mãos nos originais de Newton, o pai da física moderna? Pois bem, agora num clique é possível colocar pelo menos o mouse e desfrutar dos originais. Não será necessário gastar horas numa viagem atlântica, nem juntar &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/originais-de-newton-num-clique/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Imagine você colocar as mãos nos originais de Newton, o pai da física moderna? Pois bem, agora num clique é possível colocar pelo menos o mouse e desfrutar dos originais.</p>
<p>Não será necessário gastar horas numa viagem atlântica, nem juntar muito dinheiro para ir pessoalmente a Cambridge, e muito menos gastar tempo e papel para pedir infinitas permissões para manusear os escritos. Apesar de que, se você pode ir a Cambridge, aproveite, pois é um lugar espetacular.</p>
<p><a href="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/09/20120912-1704221.jpg"><img class="alignnone size-full" src="http://www.cienciafecultura.org/wp-content/uploads/2012/09/20120912-1704221.jpg" alt="20120912-170422.jpg" /></a></p>
<p>Toda estas facilidades se devem ao projeto da Biblioteca Digital de Cambridge, que pouco a pouco está digitalizando e colocando a disposição do grande público o original de grandes obras da humanidade.</p>
<p>Entre agora no link abaixo e desfrute dessa oportunidade única. Ver as anotações de Newton quando estudava no Trinity College, folhear (ou mousear, seria certo?) o original da obra &#8220;Princípios Matemáticos&#8221;.</p>
<p>Desde logo, se deseja entender deve ter o inglês ou latim bem afiado, e além disso um curso para decifrar letras feito na Scotland Yard, pois nem médico escreve daquele jeito.</p>
<p>Quem vai ser o primeiro a contemplar os originais?</p>
<p><a href="http://cudl.lib.cam.ac.uk/collections/newton">LINK PARA CAMBRIDGE DIGITAL LIBRARY &#8211; NEWTON PAPERS</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O cambalacho do código Penal</title>
		<link>http://www.cienciafecultura.org/o-cambalacho-do-codigo-penal/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Sep 2012 22:47:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Bioética]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Dizem que uma das grandes diferenças entre o ser humano e as outras criaturas é que nós somos os seres do &#8220;por quê&#8221;. Somos curisosos por natureza, interrogamos sobre tudo e queremos respostas. Pois bem, nestes meses últimos tenho sido &#8230; <a href="http://www.cienciafecultura.org/o-cambalacho-do-codigo-penal/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que uma das grandes diferenças entre o ser humano e as outras criaturas é que nós somos os seres do &#8220;por quê&#8221;. Somos curisosos por natureza, interrogamos sobre tudo e queremos respostas.</p>
<p>Pois bem, nestes meses últimos tenho sido bombardeado de dúvidas que nascem do estupor em frente ao projeto do novo Código Penal.</p>
<p>Um código, segundo Miguel Reale, feito às pressas, cheio de erros de forma e conteúdo. Sem a participação dos grandes magistrados e juristas do Brasil. E onde, pasmem-se, a pena por abandono de um animal é maior do que a do abandono de um ser humano. Onde um usuário pode ter para uso pessoal o equivalente a 5  dias de consumo. Onde se permite a eutanásia, sem deixar claro os critérios para a execução da mesma (desde logo, sou contra a eutanásia, mas é tema para outro artigo).</p>
<p>O que está acontecendo? Por que tanta pressa em aprovar esse novo código? Por que não há uma maior participação dos juristas? Por que tantas lacunas nas novas propostas? Por que a vida humana vale tão pouco? Por que há pouquissíma informação nos meios de comunicação sobre um tema tão crucial?</p>
<p>Escutem essa simples, rápida e magnífica entrevista com Miguel Reale, jurista, professor titular da Faculdade de Direito da USP e ex-ministro da Justiça. Deixem seus comentários e dúvidas, não podemos ficar calados diante de tamanhos absurdos. (<a href="http://cbn.globoradio.globo.com/programas/jornal-da-cbn/2012/09/05/MUDANCAS-NO-CODIGO-PENAL-ENVERGONHAM-A-COMUNIDADE-JURIDICA-BRASILEIRA.htm#TB_inline?width=400&amp;height=370&amp;inlineId=form_amigo" target="_blank">LINK PARA A ENTREVISTA</a>)</p>
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