O prêmio nobel de medicina mostra que nem todo limite é negativo

 O prêmio nobel de medicina mostra que nem todo limite é negativo.

Por Daniel Marques

Neste mês, o britânico John Gurdon e o japonês Shinya Yamanaka ganharam o prêmio nobel de medicina provando que nem todo limite é uma negação, mas pode significar direção. A pesquisa que garantiu o tão cobiçado prêmio revolucionou a concepção que a ciência tinha em relação às células e tecidos humanos.

Em 1962, Gurdon provou que o processo de especialização das células é reversível. Em 2006, Yamanaka conseguiu que as células adultas de camundongos fossem reprogramadas em células-tronco pluripotentes. Qual é a importância e significado ético dessa descoberta?

Significa que não precisa destruir um embrião humano para obter as células-tronco e realizar os estudos necessários na busca pela cura de milhares de enfermidades. O mais interessante é que enquanto os estudos com células-tronco adultas (CTA) já possuem centenas de resultados positivos. Atualmente, ainda não houve um projeto de sucesso com células-tronco obtidas pela destruição do embrião (CTE).

Teoricamente, as CTE possuem aplicações infinitas, no entanto, na prática elas têm se mostrado limitadas e produzem experimentos que só conduzem a formação de células cancerígenas. No meu ponto de vista, essa limitação não é algo negativo em si, às vezes, ela nos indica que o caminho a ser percorrido pela ciência deve ser outro para obter o sucesso.

Esse limite está de acordo com as questões éticas, já que para a produção de CTE é necessário matar uma pessoa humana em seu estado embrionário. A Igreja Católica sempre foi contra este tipo de técnica, mesmo que um dia possa produzir resultados positivos, já que um fim bom não justifica e nem faz bom um meio mal. O ser humano não pode ser instrumentalizado, isso vai contra sua dignidade. Romper essa norma é abrir espaços para abusos.

Por outro lado, a Igreja Católica sempre motivou e financiou projetos com CTA. A técnica está serviço da pessoa humana e não o contrário. O limite técnico das CTE deve ser um alerta no mundo da ciência sobre o valor ético de seus estudos. Nem todo limite é negativo, algumas vezes é a aceitação de uma realidade mais complexa que nos direciona por outros rumos mais de acordo ao nosso ser e existir.

 

 

O Ciência, Fé e Cultura está concorrendo por primeira vez ao prêmio Top Blog 2012.

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Semana em Cambridge

Uma semana em Cambridge
Pelo jornalista Márcio Campos
Fonte: Blog Tubo de Ensaio

Já está rolando, no Rio de Janeiro, o VII Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião. Pude participar da edição anterior desse evento, na Cidade do México, e tive a chance de fazer uma apresentação curta. Este ano não fui ao Rio, mas um amigo, o seminarista Daniel Marques, está lá; sua apresentação está marcada para amanhã.

O Daniel está repetindo em 2012 o caminho que eu trilhei em 2011. Vocês se lembram que, antes de ir ao México, eu tinha feito um curso em Cambridge, graças a uma bolsa concedida pelo Instituto Faraday. Em julho deste ano, foi a vez do Daniel ganhar uma bolsa. Recentemente, ele escreveu um relato para o Tubo, que publico hoje, desejando-lhe sucesso em sua participação no Rio.

Cambridge, excelência com herança cristã

Por Daniel Marques

Para quem é fã da ciência e da cultura, não há melhor oxigênio que passear ao fim da tarde nos colleges da Universidade de Cambridge. Caminhar pelos mesmos corredores por onde passou uma eminência da ciência como o pai da Física moderna, Isaac Newton. Ver, na capela do Trinity College, a estátua de Francis Bacon, um dos fundadores do método científico. Descobrir um pouco mais quem é Peter Higgs, postulador do bosón de Higgs. É maravilhoso contemplar as mesmas paisagens que inspiraram o filósofo Bertrand Russell, o economista Amartya Sen e o biólogo Charles Darwin. E nada melhor que rezar na capela onde celebrava missa diariamente o sacerdote George Lemaître, que postulou a teoria do Big Bang. E, para concluir, ir com os amigos ao The Eagle, bar onde os descobridores da estrutura do DNA, Francis Crick e James Watson, tomavam uma boa cerveja. A lista poderia continuar com pessoas como Stephen Hawking e Alan Turing, já que esta eminente universidade possui 87 acadêmicos só na lista de ganhadores do prêmio Nobel.
Foi nesta cidade universitária que tive a oportunidade de participar, durante uma semana no mês de julho, de um congresso promovido pelo Faraday Institute for Science and Religion, cujo objetivo é promover uma pesquisa interdiciplinar para maior compreensão da relação entre ciência e religião através de cursos, conferências, debates, palestras e seminários. Ganhei viagem e hospedagem gratuitas para o curso de verão “Science and Religion – the view both ways”. Lá pude conhecer e conviver com pessoas de diversas partes do mundo e de diferentes credos – e também ateus. O que nos unia era a convicção intelectual de que o ser humano é o maior beneficiado pela promoção de um frutuoso diálogo entre ciência e religião. Diálogo que implica purificar tanto a nossa noção de ciência quanto a concepção de religião, para assim não cair no perigo de um fideísmo fundamentalista ou de um cientificismo irracional.

Ideia esta que trazia comigo desde meu mestrado em Filosofia da Ciência, e que foi confirmada pelos 20 conferencistas de importantes universidades do mundo. Cito alguns para compreender a importância e altura acadêmica de tal congresso: o reverendo dr. John Polkighorne, teólogo e um dos físicos que ajudou na descoberta dos quarks, ressaltou a importância de uma boa compreensão filosófica que permita criar a ponte entre ciência e religião. O dr. Peter Clarke, pesquisador e professor no Departamento de Biologia Celular e Morfologia da Universidade de Lausanne (Suiça), falou sobre “o cérebro, uma máquina neurológica”. Defendeu a tese de que toda a riqueza e beleza do ser humano não pode ser reduzida a seu cérebro, apresentando as pesquisas mais recentes sobre este campo.

O dr. Paul Shellard, PhD em Cosmologia pela Universidade de Cambridge, fez seu pós-doutorado no MIT e atualmente é pesquisador e coordenador do Departamento de Matemáticas Aplicadas e Teorias Físicas da Universidade de Cambridge, diretor do projeto Cosmos e trabalha junto com Stephen Hawking. Falou sobre o princípio antrópico e o imenso conjunto harmônico de elementos e constantes físicas que foram necessários para que surgisse o universo como conhecemos. Além deles, contamos com a presença da dra. Jennifer Wiseman (reponsável pelos estudos dos exoplanetas e estrelas da Nasa); o dr. Alister McGrath e o dr. Ian Hutchinson (professor de Ciência e Engenharia Nuclear no MIT).

Os temas foram os mais diversos. Versaram sobre o livre arbítrio, a existência de vida extraterrestre, o determinismo científico, o evolucionismo, a inteligência artificial, o significado da pessoa humana, paleontologia, genética e comportamento humano. O mais importante era que cada tema foi ministrado por um especialista de renome mundial, dando credibilidade aos trabalhos e afirmações propostas.

Deste modo, pude ver claramente que em diversas partes do mundo existe um trabalho sério e academicamente respeitável que busca desenvolver o estudo, compreensão e promoção de uma sadia relação entre ciência e religião. Esta realidade está chegando ao Brasil através do VII Congresso Latino Americano sobre Ciência e Religião promovido na PUC-RJ em parceria com a Universidade de Oxford. Nele estarão presentes grandes acadêmicos que não tratam com superficialidade este assunto, como os professores Peter Harrison, Ronald Numbers e Marcelo Gleiser.

Cambridge é, em si mesma, um grande monumento vivo e visível dos frutos que podem surgir quando se promove uma relação saudável entre ciência e religião. Os grandes acadêmicos que existiram e existem nesta cidade vivem da herança cristã. Eles seguem um horário e dedicação similares aos dos monges da Idade Média que fundaram os colleges. São como consagrados aos estudos. Os mesmos colleges possuem a arquitetura de verdadeiros mosteiros com claustro, capela, coro, refeitório comum e habitações individuais. Nas grandes festas, as refeições são precedidas e finalizadas com orações em latim.

Cada estudante possui um tutor, imitando a figura do diretor espiritual, que guiava individualmente seu pupilo. Muitas destas práticas podem ter caído no ritualismo e no tradicionalismo. Mas é impossível entender Cambridge e sua excelência acadêmica sem sua herança cristã, que oferece a disciplina para a reflexão acadêmica e a abertura de espírito que impulsiona ao ser humano a buscar a verdade e a desenvolver e promover o conhecimento.

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Prêmio que supera o Nobel promove a dimensão espiritual do ser humano

Prêmio Templeton: para a promoção da dimensão espiritual da vida humana

Por Daniel Marques

RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 13 de setembro de 2012 (ZENIT.org) – Todos os anos ficamos apreensivos esperando pelas grandes personalidades que receberão o Prêmio Nobel. Antes, durante e depois da cerimônia todos os meios de comunicação só falam sobre os ganhadores e suas descobertas. Confiamos que serão pessoas que revolucionaram de algum modo no campo das ciências, da cultura e da paz. No entanto, poucos conhecem o maior prêmio monetário do mundo, que a cada ano se propõe a entregar um valor sempre superior ao Prêmio Nobel.

Este é o Prêmio Templeton (www.templeton.org), entregue de forma individual a uma pessoa viva que tenha contribuido de maneira excepcional para a promoção da dimensão espiritual da vida humana seja através de um insight, de uma descoberta ou um trabalho prático. Este ano foi entregue a Dalai Lama o reconhecimento e o valor equivalente a 1,7 milhões de dólares.

Na lista de 40 anos de premiação, configuram pessoas como a Beata Madre Teresa (primeira a receber o prêmio); Chiara Lubich, a fundadora do Comunhão e Libertação; o presbítero, físico e filósofo John C. Polkinghorne; o matemático, físico e astrônomo John D. Barrow, entre outras grandes personalidades acadêmicas e religiosas do mundo.

Com certeza, as descobertas trazidas pelos ganhadores do Prêmio Nobel são importantes para o desenvolvimento do ser humano. Contudo, o Prêmio Templenton deseja ressaltar que qualquer desenvolvimento técnico, social, político ou cultural que afogue a dimensão espiritual do ser humano, não é verdadeiro é em realidade um retrocesso. E nos recorda que o verdadeiro progesso da humanidade passa de modo necessário através do reconhecimento e promoção da dimensão espiritual e religiosa inerente à natureza humana. O mistério do homem só pode ser plenamente compreendido através no mistério do divino que permeia toda nossa história.

Fonte: Zenit

Originais de Newton num clique

Imagine você colocar as mãos nos originais de Newton, o pai da física moderna? Pois bem, agora num clique é possível colocar pelo menos o mouse e desfrutar dos originais.

Não será necessário gastar horas numa viagem atlântica, nem juntar muito dinheiro para ir pessoalmente a Cambridge, e muito menos gastar tempo e papel para pedir infinitas permissões para manusear os escritos. Apesar de que, se você pode ir a Cambridge, aproveite, pois é um lugar espetacular.

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Toda estas facilidades se devem ao projeto da Biblioteca Digital de Cambridge, que pouco a pouco está digitalizando e colocando a disposição do grande público o original de grandes obras da humanidade.

Entre agora no link abaixo e desfrute dessa oportunidade única. Ver as anotações de Newton quando estudava no Trinity College, folhear (ou mousear, seria certo?) o original da obra “Princípios Matemáticos”.

Desde logo, se deseja entender deve ter o inglês ou latim bem afiado, e além disso um curso para decifrar letras feito na Scotland Yard, pois nem médico escreve daquele jeito.

Quem vai ser o primeiro a contemplar os originais?

LINK PARA CAMBRIDGE DIGITAL LIBRARY – NEWTON PAPERS

 

O cambalacho do código Penal

Dizem que uma das grandes diferenças entre o ser humano e as outras criaturas é que nós somos os seres do “por quê”. Somos curisosos por natureza, interrogamos sobre tudo e queremos respostas.

Pois bem, nestes meses últimos tenho sido bombardeado de dúvidas que nascem do estupor em frente ao projeto do novo Código Penal.

Um código, segundo Miguel Reale, feito às pressas, cheio de erros de forma e conteúdo. Sem a participação dos grandes magistrados e juristas do Brasil. E onde, pasmem-se, a pena por abandono de um animal é maior do que a do abandono de um ser humano. Onde um usuário pode ter para uso pessoal o equivalente a 5  dias de consumo. Onde se permite a eutanásia, sem deixar claro os critérios para a execução da mesma (desde logo, sou contra a eutanásia, mas é tema para outro artigo).

O que está acontecendo? Por que tanta pressa em aprovar esse novo código? Por que não há uma maior participação dos juristas? Por que tantas lacunas nas novas propostas? Por que a vida humana vale tão pouco? Por que há pouquissíma informação nos meios de comunicação sobre um tema tão crucial?

Escutem essa simples, rápida e magnífica entrevista com Miguel Reale, jurista, professor titular da Faculdade de Direito da USP e ex-ministro da Justiça. Deixem seus comentários e dúvidas, não podemos ficar calados diante de tamanhos absurdos. (LINK PARA A ENTREVISTA)